Regra sobre um não muçulmano entrar na mesquita para rezar com os muçulmanos sem fazer o wudhu’, tendo assumido claramente ser incrédulo.

Pergunta: 349766

Somos muçulmanos na Alemanha. Temos uma mesquita onde oferecemos as cinco orações diárias. Há um ano, um alemão vem até nós. Ele afirma não ser muçulmano e não quer se tornar muçulmano, mas vem e se junta a nós em oração sem fazer o wudhu’. Sabemos que ele frequentou outras mesquitas há vários anos e, então, foi expulso. A última mesquita da qual foi expulso, ele frequentou por dois anos. Então, perguntei a um Shaikh por WhatsApp sobre isso, e ele me disse: Não o impeça (de vir à mesquita); talvez Allah o guie. Já se passaram quase seis meses e ele não mudou nada. Agora, os irmãos que rezam lá estão incomodados com isso, e discordamos entre nós a respeito dele, pois sentimos que isso é uma espécie de zombaria da oração e um desrespeito a este grande ato de adoração. Gostaríamos que nos aconselhasse sobre a coisa certa a se fazer, para que todos possamos concordar e ter clareza sobre que atitude tomar. Devemos deixá-lo entrar na mesquita e impedi-lo de rezar? Ou devemos impedi-lo de entrar na mesquita? Ou devemos deixá-lo rezar, mesmo que, se lhe for perguntado, ele afirme: “Ainda não sou muçulmano” e esteja rezando sem wudhu’.

Resposta

Todos os louvores são para Allah, que a paz e as bênçãos estejam sobre o Mensageiro de Allah, então:

Em primeiro lugar:

Não há nada de errado em um não muçulmano entrar na mesquita, desde que não a contamine com seus sapatos e similares, se estiver entrando por um propósito legítimo ou porque há necessidade disso. E não há nada de errado em ele estar presente enquanto os muçulmanos rezam, observá-los e refletir sobre as orações. Talvez essa seja a razão para ele se tornar muçulmano.

Veja a resposta à pergunta n° 9444.

Em segundo lugar:

Não é permitido que alguém reze na mesquita sem o wudhu’, pois isso é algo pecaminoso que deve ser denunciado, seja muçulmano ou não quem o faz. Os não muçulmanos também são obrigados a aderir às questões menores da sharia, de acordo com a visão mais correta; portanto, é proibido que rezem sem o wudhu’, assim como isso é proibido para os muçulmanos.

Wali ad-Din al-’Iraqi disse: A visão correta, que é a da maioria dos estudiosos, é que as questões menores da sharia são dirigidas aos incrédulos, portanto, é proibido que eles usem seda, assim como é proibido aos muçulmanos. (Tarh at-Tathrib, 3/227).

Portanto, se ele faz o wudhu’ e reza, ninguém deve se opor a ele, porque talvez ele seja um muçulmano interiormente. Mas se ele afirmar claramente que ainda é um incrédulo, ele deve ser impedido ou deixado em paz?

Não encontramos nada nas palavras dos juristas a respeito disso, mas eles discutiram duas questões relacionadas:

1.

Ele deve ser considerado muçulmano com base em suas orações ou não? Então, consequências diferentes resultarão dependendo como essa pergunta for respondida.

2.

Se ele lidera pessoas na oração, então deve ser submetido a uma punição discricionária (ta’zir), porque ele estragou a oração delas e porque isso é uma espécie de zombaria.

Ash-Shafi’i (que Allah tenha misericórdia dele) disse em al-Umm (1/195): Se um incrédulo lidera alguns muçulmanos na oração, quer não percebessem que ele era incrédulo ou estivessem cientes, sua oração não é válida, e o fato de ele ter rezado não significa que ele seja muçulmano se não proferiu as palavras do Islam antes da oração. Esse incrédulo deve ser submetido a uma punição discricionária, e aqueles que rezaram atrás dele, sabendo que ele é incrédulo, agiram mal. Fim da citação.

An-Nawawi (que Allah tenha misericórdia dele) disse em al-Majmu’ (4/252): Se um incrédulo lidera muçulmanos na oração, ele deve ser submetido a uma punição discricionária por interromper a oração deles, fingir ser muçulmano e zombar do Islam. Fim da citação.

O que parece ser o caso é que, se esse homem afirmou claramente que é incrédulo, ele deve ser impedido de rezar, por vários motivos:

  1. Este é um ato maligno e uma espécie de zombaria, porque a oração é o maior símbolo do Islam, e ser muçulmano é uma condição para sua validade.
  2. Alguém pode se juntar à oração mais tarde, sem saber da situação, e então o seguir na oração; e também, alguém pode ser enganado por ele e interagir como se ele fosse muçulmano.
  3. De acordo com a visão de que ele deve ser considerado muçulmano por aparentar ser quando reza – que é a visão de Abu Hanifah e Ahmad – se ele declarar novamente que é incrédulo depois disso, ele é um apóstata, e a punição para o apóstata é a execução.

Enquanto soubermos que ele é incrédulo, não é permitido que ele faça nada que possa resultar em sua apostasia, caso em que nos veremos obrigados a deixá-lo na apostasia e não poderemos aplicar a punição sobre ele.

Shaikh Ibn ‘Uthaimin (que Allah tenha misericórdia) disse: Suas palavras, “então, ele deve ser considerado muçulmano”, significam: se um incrédulo reza, então o consideramos muçulmano, mas ele é um muçulmano que é considerado como tal, mesmo que não seja realmente muçulmano, mesmo que não tenha pretendido se tornar muçulmano com o que fez.

O resultado disso é que, se o considerarmos muçulmano, podemos pedir que siga as regras do Islam, e ele pode herdar de seus parentes muçulmanos, e eles podem herdar dele.

Mas se ele disser “Eu fiz isso por escárnio”, então o consideraremos um apóstata.

A diferença entre ser um apóstata e um incrédulo que permaneceu incrédulo é que a incredulidade do apóstata não deve ser aceita, ao contrário da incredulidade de alguém que sempre foi incrédulo, cuja situação deve ser aceita. Portanto, o apóstata deve ser convidado a retornar ao Islam. Se ele se tornar muçulmano novamente, tudo bem, caso contrário, ele deve ser executado. (Ash-Sharh al-Mumti’, 2/19).

O que parece ser o caso é que esse homem deve ser chamado ao Islam, e você deve se esforçar para conseguir isso e tentar dissipar quaisquer dúvidas que ele possa ter, caso ele tenha alguma dúvida que o impeça de se tornar muçulmano.

Se as coisas forem explicadas a ele, mas ele ainda persistir em sua incredulidade, então ele deve ser impedido de entrar na mesquita nesse caso, pois não há esperança de que ele se beneficie de entrar na mesquita depois de ter frequentado muitas mesquitas por vários anos, mas ainda insistir em sua incredulidade.

E Allah sabe mais.

Referência

Fonte

Islam Q&A

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